Relatório Anual e
de Sustentabilidade

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Mais um ano de superação

O ano de 2016 foi desafiador para a economia brasileira, que, evidentemente, teve impactos na Chesf. Foi um período que demandou um exercício diário para rever a estrutura de negócio da Companhia, buscando melhorar a eficiência e qualidade com baixo custo – processo que trouxe muitos desafios, como também muitas oportunidades. Entre outras ações avaliou-se a eficiência dos processos internos, o que incluiu pessoal, serviços, despesas administrativas, manutenção, entre outras. Na área de gestão de pessoas, a Companhia realizou um estudo para mapear as atividades com o objetivo de dimensionar a necessidade do quadro frente ao que de fato realizamos no negócio e, assim, ajustar o número de empregados no quadro funcional. Dessa forma, pôde ser iniciada mais uma fase do Plano de Incentivo à Demissão Voluntária (PIDV), processo que deve perdurar ao longo de 2017.

Todo esse planejamento empresarial buscou ainda adequar a Chesf às novas condições trazidas pela Lei nº 12.783/2013, que antecipou a renovação das concessões de geração e transmissão, e resultou em significativa redução de receita da Companhia. As iniciativas são desafiadoras e trabalhosas, contudo fundamentais para a CHESF seguir em frente e garantir perenidade e a sustentabilidade do seu negócio. Com o apoio do Ministério de Minas e Energia e da Eletrobras, a Chesf conseguiu em 2016 concluir um conjunto de obras prioritárias, realizando melhorias e modernizações em subestações, além de ter participado de empreendimentos de geração e transmissão em parceria com a iniciativa privada. Em 2016, os problemas associados à falta de chuvas na bacia do Rio São Francisco continuaram a influenciar o sistema da Chesf, no que se refere às alterações da vazão para a operação das suas usinas hidrelétricas naquele rio. Por outro lado, deu-se início à construção de duas usinas para geração de energia eólica, ambas com conclusão prevista para início de 2018. Iniciou-se o projeto para a produção de energia solar em subestações da Companhia, principalmente naquelas supridas pelas distribuidoras, e que pode trazer uma economia estimada em oito milhões de reais ao ano.

Projeto-piloto já foi instalado no almoxarifado da subestação de Abreu e Lima (PE) e o segundo já está aprovado para SE Messias (AL). Outra iniciativa importante a registrar, foi a assinatura de um convênio da Companhia com a Rede Nacional de Ensino e Pesquisa – RNP que permitirá aumentar enormemente a sua capacidade de transmissão de dados e informações pela ampliação e modernização de seu sistema de cabos de fibras óticas, nas linhas de transmissão,  a um custo extremamente competitivo, ao mesmo tempo que permitirá levar internet de alta velocidade para as instituições de ensino e pesquisa de quase todo o Nordeste, por meio do sistema CHESF.

Adicionalmente, uma decisão da ANEEL, relativa aos ativos de transmissão das instalações denominadas de Rede Básica do Sistema Existente (RBSE), contabilizou para a Companhia um montante de R$ 5,09 bilhões (a preços de 2013), recursos esses que devem começar a entrar no seu caixa a partir de meados de 2017. Isso influenciou positivamente o resultado econômico do exercício de 2016, que registrou lucro de R$ 3.985,4 milhões, um aumento de R$ 4.461,4 milhões em relação ao ano anterior.

Importante ressaltar que a Chesf tem trabalhado com muita dedicação em projetos e processos que ajudem a trazer equilíbrio para a saúde econômico-financeira, trazendo a possibilidade de novos investimentos com a diversificação da matriz energética e a modernização de suas operações. O Fundo de Energia do Nordeste (FEN), criado pelo Governo Federal em 2015 para compensar a redução gradativa dos contratos da Chesf com os grandes consumidores industriais do Nordeste, representa uma grande oportunidade de novos investimentos para a Companhia, pois os seus recursos irão financiar empreendimentos de geração e transmissão de energia, nos quais a Chesf poderá fazer parcerias com empresas privadas, com participação de até 49%. Já estão em andamento estudos e análises para definição de quais projetos investir com rentabilidade e sucesso no cumprimento dos prazos das obras. Também foi criado, na Diretoria de Engenharia e Construção, um núcleo de planejamento que já trouxe resultados importantes para a Companhia em 2016, com o aumento de 70% do número médio de empreendimentos concluídos e uma redução de 43% do tempo de atraso das obras.

O ano também foi marcado pela dedicação dos empregados para elaborar o Plano de Negócio e Gestão para o período 2017-2021, desdobrado a partir do Plano Diretor de Negócios e Gestão da Eletrobras no qual explicitam-se as ações para o aumento da eficiência, conformidade, gestão de risco, integridade e Compliance, além de estabelecer metas no curto e médio prazo em todas as unidades organizacionais. O intuito é fortalecer os mecanismos de controles nas operações não somente em relação à gestão financeira, como também operacional, com foco na redução de riscos ambientais e de segurança. Além disso, foi criada a Coordenadoria de Conformidade e Gestão de Riscos ligada diretamente à Presidência, o que demonstra o nível de importância do tema para a Chesf que busca fortalecer a ética, conformidade e integridade em suas operações.

Ademais, os Objetivos do Desenvolvimento Sustentável (ODS) tornaram-se ainda mais estratégicos na Chesf, com a integração da área de Sustentabilidade à área de Planejamento e Inovação. Vale ressaltar que as diretrizes de sustentabilidade também foram explicitadas no Mapa Estratégico da Companhia (2017-2021), assim como a gestão de oportunidades e ameaças que está associada aos processos de planejamento estratégico e de inovação.

Assim, a CHESF continuará trabalhando, incansavelmente, para se posicionar como referência no setor de energia elétrica no médio e longo prazo. Compreende-se que nessa trajetória de reorganização, olhando de dentro para fora, o objetivo maior é o de construir uma empresa cada vez mais sustentável e capaz de trazer mais valor para a sociedade.

José Carlos Miranda de Farias
Presidente (gestão 2015-2016)